O IX Colóquio da EPFCL-RDB homenageia a artista
potiguar Zaíra Caldas
“Uma arte nascida do inconsciente/ consciente da artista e destinada a atingir outros inconscientes/ conscientes. Uma arte que haverá de perdurar pela sua originalidade (e até pela sua natureza/ natural) na soma dos valores historicamente representativos da mítica moderna. Revelação intensamente criativa e absolutamente indispensável a nossa reflexão.”
(Dorian Gray Caldas)
Desenhista, pintora, gravadora, escultora, ceramista, tapeceira e poeta, Zaíra Caldas nasceu em Natal no ano de 1927 e faleceu em 2012. Começou a pintar os quadros quando tinha 7 anos e se tornou um dos principais nomes das artes plásticas potiguares por ser uma artista múltipla e original.
Sua primeira exposição foi no ano de 1965. Realizou exposições individuais nas principais capitais brasileiras e em centros artísticos europeus, como Paris, Madrid, Veneza, Lisboa e Bruxelas.
Tornou-se conhecida, sobretudo, por seu pioneirismo no Transfigurativismo, uma técnica de pintura expressionista que utilizava, em sua composição, materiais orgânicos, como galhos, raízes e cascas de árvores, tratados com ácido nítrico e resinal.
Mas nem só de linhas, volumes e cores é feito o talento de Zaíra, ele se manifesta também como força verbal, na obra poética da artista, como bem observou Isaura Rosado Maia.
Para o advogado, escritor, poeta e professor presidente da Academia Norte-riograndense de Letras, Diógenes da Cunha Lima, “a poesia de Zaíra é plástica, é expressão de formas, ritmo próprio, angústias insuspeitadas, surgimento do inconsciente poderoso, fidelidade às raizes de sua emoção e às suas criaturas plásticas”.
Rubem Braga, notou que a pintura de Zaira Caldas estende corajosamente a mão à literatura. Segundo ele, a mesma poesia que a autora faz em verso, ela exprime na tela. Propondo assim, corajosamente, a real questão da correspondência das artes.
Para o romancista e historiador Jorge Amado, a obra de Zaíra vem somar, no complexo cultural nordestino, a realidade de uma consciência sensível a chamados aparentemente díspares. Apenas aparentemente, pois existe uma real unidade na obra da artista: seu profundo sentimento de amor à vida.
Já o crítico de arte, curador e professor do Departamento de Artes da UFRN, Antônio Marques, não tem dúvidas em afirmar que, no panorama atual das artes plásticas do Brasil, Zaíra Caldas representa uma ruptura, isto é, uma revolução estética cujas consequências, por razões de ordem sociológica, ainda não foram avaliadas. Segundo ele, Zaíra é na verdade, uma contribuição de gênio à Arte Brasileira.
Texto de Adriana Caldas







